Apresentação de slides

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

LADEIRA II

Reflexão


Ergo meus olhos, uma nuvem branca paira sobre minha visão. Degraus se enumeram num seqüencial de glórias.
A altitude conquistada proclama desafio em cada hora. Desço o olhar ao redor, o vale é sombrio e o vento espiral sinistramente procura sugar-me aos confins de um túnel de sórdidas lembranças. De fragilidade é feita a minha bagagem. Fui lançada no absoluto que há entre a distância do andar trigésimo ao solo da terra.
Um espírito das trevas ecoa sua voz nos meus tímpanos inflamados de vãs palavras, e insulta-me. Nesse ato infernal, explode o cristal da intimidade com Divino, e ouço a suavidade de um falar que diz: - " A decisão somente a você pertence. A influência induz a capacidade de escolha. E Eu te influencio a subir, a enrijecer os músculos através do esforço que lhe fará vencedora com as dores da determinação".
E continuou: - "todo subir é árduo, pressão é preciso senti-la. Em determinadas alturas o oxigênio parece faltar e as forças se esvair. Não esmoreça. Retire o pó, atice a brasa da coragem, e deixe que as asas da ousadia levante altas chamas e aqueça-se do frio temor. A maior intensidade do sol é quando sua posição está no alto, e mesmo que este venha a declinar, existirá no escuro os pontos brilhante - as estrelas que piscam num namoro com a conquista. O brilho é devedor do escuro. Nesse paradoxo os afins se realizam".

Subindo a ladeira
Transitei o áspero
Alonguei o corpo
Calcei de pó os pés
Lavei o rosto na fonte
Própria das lágrimas.
Suor e sangue
Secado aos ventos
Que desalinha minha cãs e some
Mancham minha pele.
Subindo a ladeira
Aprendi que a grandeza do alto
E a profundidade do despenhadeiro
São extremos separados pela linha do equilíbrio
Risca do unir verdadeiro

Jair Martins

Buriti, 09/12/2005 22h40

O TEMPO

A voar
O tempo toma as asas
Das águias
E na maestria dos ventos
Rege liberdade
Ao som de frascos friccionados.

O infinito se rende ante suas asas
Que sombreiam a terra
Desce a cortina
Silêncio nos gritos
O tempo agasalha a terra
O homem dorme.

Jair Martins
07/06/09 13h05

AMOR PLATÔNICO II

AMOR PLATÔNICO II

Que dizer quando me inquietas?
Ausência ou presença do imenso mar na geografia do coração, voz aveludada que canta ternura afligindo o fôlego, ou paixão desafiadora da solidão nos fios trançados da pulseira ilusão?
Respondo:
É romaria dos sentimentos na senda dos desejos, fatia de pão servida por deliciosas mãos, postal exibicionista no cenário da vida, semente plantada junto à fonte de águas inspiradoras, clausura que recolhi em si a beleza do lírio.
Luz no vazio.

JairMartins
Água Fria, 09 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

AMOR PLATÔNICO

Como o sol que se anuncia por trás das montanhas no fulgor de cores que a terra ilumina, assim é a tua presença. O vento da avidez tende impedir a nitidez de tua face, enquanto o meu coração é afligido por batidas fortes em que o meu pensamento martela a tua fisionomia. Então, faço uso do formão do prazer e a modelo em marfim, guardando-a como troféu. Sinto tremores convulsivos, acompanhados de sorrisos nervosos e excitação fogosa. Ouço sinos badalarem em catedrais distantes, comportamentos que falam do quanto o amor é capaz. Todas as entradas estão abertas. Daí, movimento o meu olhar e o desnudo como uma flor a despetalar, e dirijo-me ao teu encontro para em teu corpo fechar-me como casulo, mais, não pude aconchegar-me, não havia calor. Tenho pressa em contemplar o teu olhar. Dele emana uma luz que paralisa meus sentidos. Vejo miragem. Beijo tua boca, e a umidade que sinto é a dos desejos meus. Seguro tuas mãos e as acaricio, trago-as junto ao meu peito para sentir cumplicidade, e desperto com o inerte do teu porte. Desespero-me em abraçar-te, e neste abraço, enlaço-me a uma figura esculpida pelos sonhos. Sem efeito então, deixo que as lágrimas reguem minha ilusão compreendendo que o amor partilhado não teve tempo pra mim. É apenas amor platônico.
Jair Martins
Água Fria, 06/01/12 23h43
CHEGAMOS EM 2012. “TUDO DE NOVO” COM SAÚDE E MUITAS FELICIDADES. BEIJOS EM TODOS OS CORAÇÕES.

domingo, 18 de dezembro de 2011

É NATAL

É NATAL! BRILHA A LUZ DIVINA

Corações incandescentes de amor regozijam-se fervorosamente vivendo a memória da anunciação do nascimento do Menino Deus-O Verbo se fez carne. Essa luz que brilha na terra a mais de dois mil anos, e que recebe atenção especial na festejada noite do dia 25 de dezembro, quando altares são visitados, preces são evocadas, lágrimas são chuvas que molham as lembranças, abraços fazem na noite o aconchego maior com o próximo, votos de felicidades caem como purpurina multicor, cintilando os desejos, mais, as luzes nas arvores, nos frontais das casas ou no pisca–pisca do pinheiro (tudo muito belo), não diz da luz da mensagem pelo Menino Deus pregada - Paz e Amor entre os homens, o brilho da verdadeira luz - JESUS CRISTO A LUZ DOS HOMENS.

A minha mensagem é que não permitamos que essa luz divina, se apague em nós pelos ventos da incredulidade que a tudo sombreia. Sejamos mais vigilantes com o azeite da FÉ nas lamparinas de nossas vidas, para que a chama da luz surgida na manjedoura brilhe intensamente.

Hoje, dezembro de 2011, século XXI, aqui estamos congratulando-nos por essa luz divina, comprovando que ele existe.

Seja a nossa reverência a esta data magna, o cântico de nossas vidas entoadas ao som do instrumento da Paz/JESUS.



A todos votos de muita luz.

Feliz Natal!

JairMartins

19/12/2011

sábado, 27 de agosto de 2011

RETALHOS


Em pedaços de cetim
Veste-nos a vida.
Um céu azul
Vibrado pelo fugir da lua
Tricota os inviés das tiras e fitas
Alinhavos dos bordados
Da sinhá adornada.
Linho, algodão e seda,
Misturam-se na vaidade dos cortes
De incorretos traços.
São retalhos de coloridos inversos
Que vestem a alma conflitada
Nas noites de inverno.
Retalhos, retalham as sobras
Amontoados viram espantalhos
Unidos, são cobertas pra o coração
Viver as lembranças
Pelo fio que tece o cordão de reta e alhos.


Jair Martins
Buriti, 11/07/2006

RÉU


Condenação!
Grito ecoante
Rasgado na garganta
Clamor sangrento
Por culpa atenuada
A um inocente.

Sentença que tosquiou a esperança
Na flacidez dos fatos
Conspiração do malogro ato.

Vias férreas de trilhos extensos
No calor e exaustão
Banem o corpo já demente.

O decreto fechou a porta
No norte da liberdade exórdia.
No sul a mentira subiu o trono
Excitando no fórum torno
Toda deslealdade de um júri
Sem quorum.

Cruciais horas!
Espada reluzente carrega o réu
No olhar febril do ódio
Percorrendo o caminho de abrolhos.

Vergões em cruzes
São seus guardiões
Quadrados que o emoldura
Nos recantos dos monólogos.
A vida passa a ser resumo
Leitura em páginas de rogos.

Jair Martins
Buriti, 11/10/2006

LIMITES



A porta fechada
selada.
O declínio.
O precipício
queda inevitável
Caminhada limitada.
O desejo é ponto final
não tem asas.
As curvas são caracóis
Alienam.
O suspiro busca liberdade
na cumeeira perdeu-se.
Viciou o ambiente
Emudeceu o gozo
Fez parar a jornada.
O punho ereto
Bofeteia as águas
Espelho do medo.
Olhar pra trás
Punhados de areia.
Silencio na vida
cura na terra
preço na alma.

Jair Martins
Água Fria, 30/09/2008